INCERTEZAS LEVAM MICROS E PEQUENOS COLOCAR FREIO EM BUSCA DE CRÉDITOS.

 Com crise econômica, micro e pequeno empresário revela baixo
interesse por tomar crédito, mostra indicador do SPC Brasil.

Apenas 8,4% dos MPEs pretendem contratar crédito nos próximos 90 dias.
Intenção de investimentos apresenta piora na comparação mensal

A baixa disposição dos micro e pequenos empresários (MPEs) em contratar crédito para seus empreendimentos segue refletindo as incertezas com a recuperação econômica do Brasil no próximo ano e a forte deterioração do ambiente de negócios. Dados do indicador mensal calculado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostram que a intenção desses empresários de procurar crédito pelos próximos três meses registrou apenas 13,47 pontos no mês de novembro. Embora o índice seja levemente superior ao observado em outubro (13,15 pontos), o resultado é considerado baixo, visto que a escala do indicador varia de zero a 100. Quanto mais próximo de 100, maior é a probabilidade de os empresários procurarem crédito e, quanto mais próximo de zero, menos propensos eles estão para tomar recursos emprestados para os seus negócios.

Em termos percentuais, apenas 8,4% dos micro e pequenos empresários consultados pretendem tomar crédito nos próximos 90 dias. Considerando um intervalo de 30 dias, a proporção é ainda menor e chega a 6,5% dos MPEs ouvidos no levantamento.

Na avaliação do presidente da CNDL, Honório Pinheiro, o cenário não inspira a confiança necessária para que os empresários assumam compromissos de longo prazo, principalmente em um momento em que os brasileiros estão diminuindo o consumo de bens e serviços. “O quadro de crise econômica contribui para o baixo apetite pelo crédito, ao aumentar as incertezas em relação ao futuro da economia e dos negócios e elevar o custo do capital medido pelas taxas de juros”, diz Honório.

Para MPEs, tomar crédito está difícil

Dentre os empresários que não têm a intenção de contratar crédito nos próximos três meses (84,7%), conseguir manter o negócio com recursos próprios (43,6%) e a insegurança em se endividar devido as condições econômicas do país (32,1%) são os motivos mais mencionados. Há também os que apontam indisposição para pagar as altas taxas de juros praticadas pelo mercado (17,8%).

Segundo a pesquisa, 35,5% dos empresários consultados consideram que nos dias de hoje está “difícil” ou “muito difícil” conseguir crédito no Brasil. Dentre o universo de empresários que enxergam um horizonte com dificuldades, 43,7% reclamam da burocracia como a razão principal do impedimento e outros 33,1% apontam as altas taxas de juros praticadas no mercado.

As modalidades de crédito mais difíceis de serem contratadas, de acordo com o levantamento, são os empréstimos em instituições financeiras (29,9%) e os financiamentos (21,9%). Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, o cenário de desconfiança com os rumos da economia, que torna os as instituições bancárias mais cautelosas na hora da concessão de crédito, bem como o ciclo recente de alta de juros, devem aumentar essa percepção de dificuldade.

As modalidades de crédito mais conhecidas por esses empresários são justamente as mais caras do mercado, cujas taxas de juros anuais podem chegar a quase 290%: o Cartão de Crédito Empresarial (70,8%) e o Cheque Especial Empresarial (70,3%). Só em seguida aparece o microcrédito, citado por 66,3% dos entrevistados.

Cai a intenção de investimentos nos próximos três meses

O indicador de investimentos calculado pelo SPC Brasil e pela CNDL também registrou um baixo patamar, o que demonstra que o cenário econômico adverso está afetando os planos de expansão dos micro e pequenos empresários e também dos prestadores de serviços. Na comparação entre outubro e novembro, houve uma piora de 29,89 pontos para 27,18 pontos, sendo que quanto mais próximo de 100, maior é a propensão ao investimento. Ao todo, apenas 23,25% dos micro e pequenos empresários consultados pretendem realizar algum tipo de investimento nos próximos três meses.

De acordo com o indicador, os investimentos mais citados por esses empresários são a ampliação do estoque (34,9%), reforma da empresa (33,3%), compra de equipamentos (24,7%) e investimento em propaganda e comunicação (24,2%). A grande maioria desses empresários (68,8%) irá usar capital próprio para realizar os investimentos e 25,3% irão recorrer a empréstimos em bancos ou financeiras.

Metodologia

Os Indicadores de Demanda por Crédito e de Propensão para investimentos do Micro e Pequeno Empresário (IDCI-MPE) calculados pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) levam em consideração 800 empreendimentos com até 49 funcionários, nas 27 unidades da federação, incluindo capitais e interior. As micro e pequenas empresas representam 39% e 35% do universo de empresas brasileiras nos segmentos de comércio e serviços, respectivamente.

OBRAS NO HOSPITAL CENTRAL SERÃO RETOMADAS APÓS MAIS DE 20 ANOS.

HOSPITALCENTRAL

A retomada das obras do Hospital Central, depois de pouco mais de vinte anos de abandono, já tem datada marcada. Na próxima quinta-feira (17.12), às 08h, a obra será lançada com a presença do governador Pedro Taques e da primeira-dama Samira Martins. A retomada das obras foi um compromisso assumido pelo governador Pedro Taques no começo da sua gestão.

O projeto é uma iniciativa do Núcleo de Ações Voluntárias (NAV-MT) que, coordenado por Samira Martins, fechou parcerias com a sociedade civil, para garantir a construção da primeira parte da obra, orçada em R$ 6,5 milhões. Com conclusão prevista para setembro de 2016, o local vai abrigar o Centro de Reabilitação Integral Dom Aquino Corrêa (Cridac), que atende mensalmente mais de cinco mil pessoas, com serviços de reabilitação física, auditiva, intelectual e ortopédica.

O orçamento prevê ainda a mobília e a disponibilização de todos os equipamentos necessários para o funcionamento da unidade de saúde, que tem uma demanda de pacientes três vezes maior que o atendimento atual.

A mobilização em torno da obra abandonada, só foi possível graças a um acordo judicial com o Ministério Público Federal (MPF), que, como resultado da ação civil pública ingressada por Pedro Taques em 2003, quando ele era procurador da república, determinou em 2014 que o Estado retomasse as obras.

“Quando Pedro foi eleito governador no final do ano passado, ele teve conhecimento de que teria que executar a obra ainda este ano, resultado de sua própria ação enquanto procurador da República. Com isso, conseguiu o apoio do deputado estadual Dilmar Dal Bosco, que destinou uma emenda com essa finalidade”, relembra Samira Martins.

No entanto, a gestão anterior vetou a emenda. Com isso, a primeira-dama enxergou nas parcerias uma forma de assegurar os planos do Governo. E assim surgiu uma nova etapa desta história: a Associação Amigos do Hospital Central.

“Com o auxílio do secretário de Fazenda, Paulo Brustolin, entramos em contato com empresários, sindicatos e organizações para firmar essa parceria. E com certeza a retomada da obra só está sendo possível por meio destes parceiros e, principalmente, da compreensão da Justiça Federal, que entendeu e aceitou que o Estado só conseguiria entregar a obra contando com o auxílio dos ‘Amigos do Hospital Central’”, destacou Samira.

A constituição da associação, que foi registrada em cartório, também consta no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado em setembro deste ano. Quando finalizada a primeira parte da obra, os Amigos do Hospital Central farão a doação ao governo, que dará continuidade ao projeto.

“Como forma de reinserção social e até mesmo de preparação para o mercado de trabalho, parte da mão de obra utilizada no local será feita por recuperandos da Fundação Nova Chance”, disse a primeira-dama do Estado.

O procurador do Ministério Público Federal em Mato Grosso, Marco Antônio Ghannage Barbosa, além de autoridades do Ministério Público Estadual (MPE), Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e secretários de Estado também estarão presentes no lançamento.

Visita

Em setembro desde ano, o então ministro da Saúde, Arthur Chioro, visitou o Hospital Central, a convite do governador Pedro Taques, e sinalizou a importância da continuidade dos trabalhos.

Cidade da Saúde

Após a entrega do Cridac, o projeto é que o Hospital Central abrigue a “Cidade da Saúde”, composta pelo Centro Estadual de Referência de Média e Alta Complexidades de Mato Grosso (Cermac), o MT Laboratório, a Central de Regulação do Sistema Único de Saúde, e, por fim, o Hospital Materno Infantil, que deve ficar pronto até 2020.

Todos os demais projetos, que virão após a conclusão da nova sede do Cridac, serão viabilizados com recursos já previstos no Plano Plurianual 2016-2019.

“É um projeto realmente grandioso e que, com toda a certeza, beneficiará o povo mato-grossense. Não nos limitamos apenas à reforma e adequação da estrutura do Hospital Central, que ainda apresenta uma boa condição. Pensamos em transformar este lugar marcado pelo abandono, em um verdadeiro centro de referência em saúde pública”, completou Samira Martins.

LEILÃO DE VEÍCULOS EM QUERÊNCIA.

O Prefeito Municipal Senhor Gilmar Reinoldo Wentz, juntamente com a Presidente da Comissão Permanente de Licitação da Prefeitura Municipal de Querência, tornam Público o Processo de Licitação nº 131/2015, na MODALIDADE: Leilão que tem como objetivo alienação de veículos considerados inservíveis para o serviço público, do tipo maior lance ou oferta, que acontecerá no dia 22 de dezembro de 2015 às 13:30 horas no Parque de Máquinas do município de Querência, localizado na Rua 20 de Novembro ao lado do Cemitério número 109-A, setor Rural lote b.

Veículos a serem leiloados:

I – Bem: 01 (uma) Caminhonete, cabine dupla, Ano Mod. 2002, Marca/Modelo MMC/L200 4X4 GLS, Chassi 93XHNK3402C220509, cor prata, ano 2002;

II – Bem: 01 (um) Caminhão Furgão, Ano Mod. 2002, Marca/Modelo IVECOFIAT/DAILY3510 VAN1, Chassi 93ZC3570128307779, cor branca, ano 2002;

III – Bem: 01 (uma) Toyota Hilux SW4, 4X4, diesel, Ano/ Mod. 2010, Marca/Modelo I/TOYOTA HILUXSW4 SRV4X4, Chassi 8AJYZ59G8A3042243, Cor preta, ano 2010;

IV – Bem: 01 (um) Caminhão, carroceria, diesel, Ano/Mod. 1976, Marca/Modelo FIAT/FNM 180, Chassi 1215008871, Cor azul, ano 1976;

V – Bem: 01 (uma) Caminhonete, Carroceira, diesel, Ano/Mod. 2004, Marca/Modelo I/TOYOTA HILUX 4CRL DX, Chassi 8AJ31LNL549301598, cor branca, Ano 2003;

VI – Bem: 01 (uma) Caminhonete/Carroceria fechada, Furgão, Gasolina, Ano 2001, modelo 2001, Marca/Modelo VW/ Kombi, Chassi 9bwg07x01p01909, cor branca;

VII – Bem: 01 (um) Automóvel, Ambulância, Gasolina, Ano/Mod. 1994, Marca/Modelo VW Parati GL 1.8, chassi 9BWZZZ30ZRP206439, cor vermelha.

VIII – Bem: 01 (um) PAS/AUTOMÓVEL, Alcool/Gasolina, Ano 2008, modelo 2008, Marca/Modelo Fiat/Uno Mille Fire Flex, Chassi 9BD15802786146903, cor branca;

IX – Bem: 01 (uma) Car/Camionete/Carroc ABT, Diesel, Ano 1993, modelo 1993, Marca/Modelo Toyota/Bandeirante, Chassi 9BR0J0080P1022105;

 

Outras informações sobre edital contendo as instruções estará a disposição dos interessados na sede da Prefeitura Municipal de Querência MT, no horário das 07h30min às 11h30min e 13h30min às 17h30min ou e-mail licitacao.querencia@gmail.com.

VAI TER URNA ELETRÔNICA EM 2016

Votação eletrônica em 2016 está garantida com nova meta fiscal

Urna Eletrônica

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recebeu do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão cópia do relatório enviado à Comissão Mista do Congresso Nacional, no qual constam reestimativas de receitas e despesas que garantem a realização das Eleições Municipais de 2016 por meio eletrônico. O documento também é assinado pelo Ministério da Fazenda.

De acordo com o Ofício Interministerial, findo o quinto bimestre deste ano, e dada a meta de superávit primário constante da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO-2015) vigente à época, indicou-se a necessidade de redução financeira em R$ 107,1 bilhões aos Poderes da República, incluindo a Defensoria Pública (DPU) e o Ministério Público da União (MPU). Ao fim do terceiro bimestre já havia a necessidade de redução de outros R$ 79,5 bilhões.

No entanto, com a aprovação do PLN nº 5/2015 no Congresso Nacional e sua conversão em lei, a LDO-2015 foi alterada e houve redução na meta de resultado primário para o conjunto dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social – OFSS, de R$ 55,3 bilhões positivos para R$51,8 bilhões negativos e, dessa forma, a meta de resultado primário OFSS foi reduzida em R$ 107,1 bilhões.

Contingenciamento

No último dia 30, o Diário Oficial da União publicou a Portaria Conjunta nº 3/2015, assinada pelos presidentes dos tribunais superiores, informando que o contingenciamento de recursos determinado pela União para cada área do Poder Judiciário, incluindo a Justiça Eleitoral, inviabilizaria as eleições do próximo ano por meio eletrônico.

A Justiça Eleitoral sofreria um corte de mais de R$ 428 milhões, o que prejudicaria a aquisição e manutenção de equipamentos necessários para a execução do pleito de 2016. O bloqueio no orçamento deste ano comprometeria severamente vários projetos do TSE e dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). O impacto maior refletiria no processo de aquisição de urnas eletrônicas, com licitação já em curso e imprescindível contratação até o fim do mês de dezembro, com o comprometimento de uma despesa estimada em R$ 200 milhões.

Com a revisão dos limites de empenho e movimentação financeira do Orçamento de 2015, ficou mantido somente o contingenciamento referente aos quatro primeiros bimestres do ano, que equivale a R$ 161 milhões. Os outros R$ 267 milhões, correspondentes ao quinto bimestre, foram revertidos à Justiça Eleitoral.

GA/JP

MT FAZ A MAIOR LICITAÇÃO DE PUBLICIDADE DA HISTÓRIA DO ESTADO.

O Governo de Mato Grosso, por meio do Gabinete de Comunicação (Gcom), recebeu as propostas de 22 agências de publicidade que participam do processo de concorrência pública 001/2015, que visa prestação serviços técnicos de publicidade pelos próximos cinco anos. O evento foi realizado nesta terça-feira (08.11), no auditório Ponce de Arruda, no Palácio Paiaguás.

Apesar de inicialmente 23 agências terem se candidatado, uma empresa não compareceu. Conforme o edital, publicado no dia 23 de outubro de 2015, cinco agências serão contratadas para realizar serviços técnicos de publicidade, como a elaboração de projetos e campanhas institucionais e de utilidade pública.

A licitação é na modalidade melhor técnica e preço, com base na lei nº 12.232/2010, que estabelece normas sobre licitações e contratações pela administração pública de serviços de publicidade. O valor do contrato é de R$ 70 milhões com vigência de 12 meses, podendo ser prorrogado anualmente por até cinco anos.

O processo é dividido em cinco etapas, a primeira consiste na entrega de envelopes apócrifos, que são as propostas e ideias não identificadas. O segundo passo é a apresentação das licitantes, onde elas apresentam a sua história, seus trabalhos, qualificação e estrutura.

A terceira etapa se dá com a identificação das propostas, quando os trabalhos já estiverem sido julgados, seguida da abertura dos envelopes contendo as propostas orçamentárias. Depois destes passos é realizada a habilitação documental, para identificar se as empresas podem participar da concorrência pública.

Após as empresas se credenciarem e entregarem as caixas apócrifas contendo o material a ser analisado, foram sorteados três representantes das agências para se juntarem aos membros do Gcom a fim de rubricar as peças publicitárias, comprovando que nenhum material foi recebido após o prazo.

Conforme a secretária Adjunta de Administração Sistêmica do Gcom, Patrícia Costa Vieira de Camargo Saldanha, no intuito de tornar o processo ainda mais transparente, o material recebido será repassado à comissão técnica que analisará os produtos sem ter conhecimento sobre a quais empresas pertencem as peças. A comissão terá o prazo de 10 dias para efetuar a análise e escolher os melhores trabalhos.

A documentação das empresas e as propostas orçamentárias serão avaliadas por outra comissão e, após as análises, o Gabinete irá definir uma média ponderada para realizar a licitação. “Tudo foi feito de maneira transparente para que o maior número de licitantes pudesse participar”, afirmou a gestora, ressaltando que todos os prazos para recursos serão respeitados, mas que a expectativa é que a licitação seja assinada até fevereiro de 2016.

O presidente da Associação Brasileira das Agências de Publicidade (Abap), Álvaro de Carvalho, classificou como a maior licitação da história da publicidade de Mato Grosso e ressaltou a transparência do processo.

A concorrência foi amplamente discutida em março deste ano durante audiência pública. Na ocasião foi debatido o novo modelo de licitação para contratação das agências de publicidade. O trâmite está previsto no Acordo de Resultados assinado pelo secretário de Estado de Comunicação, Jean Campos, no que se refere à implementação de uma política interna de procedimentos e gestão.

Com a contratação das agências, todos os serviços de publicidade e propaganda do Governo estarão concentrados apenas no Gabinete de Comunicação, conforme previsto na nova estrutura da pasta após a reforma administrativa.

A comunicação acerca da publicação do edital foi feita a diversos órgãos e entidades, a fim de garantir a transparência do processo. Foram entregues ofícios a representantes da Controladoria Geral do Estado, Procuradoria Geral do Estado, Gabinete de Transparência e de Combate à Corrupção, Ministério Público do Estado, Tribunal de Contas do Estado, Sinapro-MT, Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap) e da Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública.

UMA CARTA SACODE A POLÍTICA NO BRASIL.

TEMER: QUATRO ANOS COMO VICE DECORATIVO

Presidente nacional do PMDB, o vice-presidente da República, Michel Temer, enviou uma carta à presidente Dilma Rousseff nesta segunda-feira (7) na qual apontou episódios que demonstrariam a “desconfiança” que o governo tem em relação a ele e ao PMDB.

A mensagem, segundo a assessoria da Vice-Presidência, foi enviada em “caráter pessoal” à chefe do Executivo. Ainda de acordo com assessores, “em face da confidencialidade” da correspondência, Temer “surpreendeu-se com sua divulgação”.

Leia abaixo a íntegra da carta obtida pela Andreia Sadi da GloboNews:

São Paulo, 07 de Dezembro de 2.015.

Senhora Presidente,

“Verba volant, scripta manent”.

“as palavras ditas voam, as escritas permanecem”

Por isso lhe escrevo. Muito a propósito do intenso noticiário destes últimos dias e de tudo que me chega aos ouvidos das conversas no Palácio.

Esta é uma carta pessoal. É um desabafo que já deveria ter feito há muito tempo.

Desde logo lhe digo que não é preciso alardear publicamente a necessidade da minha lealdade. Tenho-a revelado ao longo destes cinco anos.

Lealdade institucional pautada pelo art. 79 da Constituição Federal. Sei quais são as funções do Vice. À minha natural discrição conectei aquela derivada daquele dispositivo constitucional.

Entretanto, sempre tive ciência da absoluta desconfiança da senhora e do seu entorno em relação a mim e ao PMDB. Desconfiança incompatível com o que fizemos para manter o apoio pessoal e partidário ao seu governo.

Basta ressaltar que na última convenção apenas 59,9% votaram pela aliança. E só o fizeram, ouso registrar, por que era eu o candidato à reeleição à Vice.

Tenho mantido a unidade do PMDB apoiando seu governo usando o prestígio político que tenho advindo da credibilidade e do respeito que granjeei no partido. Isso tudo não gerou confiança em mim, Gera desconfiança e menosprezo do governo.

Vamos aos fatos. Exemplifico alguns deles.

1. Passei os quatro primeiros anos de governo como vice decorativo. A Senhora sabe disso. Perdi todo protagonismo político que tivera no passado e que poderia ter sido usado pelo governo. Só era chamado para resolver as votações do PMDB e as crises políticas.

2. Jamais eu ou o PMDB fomos chamados para discutir formulações econômicas ou políticas do país; éramos meros acessórios, secundários, subsidiários.

3. A senhora, no segundo mandato, à última hora, não renovou o Ministério da Aviação Civil onde o Moreira Franco fez belíssimo trabalho elogiado durante a Copa do Mundo. Sabia que ele era uma indicação minha. Quis, portanto, desvalorizar-me. Cheguei a registrar este fato no dia seguinte, ao telefone.

4. No episódio Eliseu Padilha, mais recente, ele deixou o Ministério em razão de muitas “desfeitas”, culminando com o que o governo fez a ele, Ministro, retirando sem nenhum aviso prévio, nome com perfil técnico que ele, Ministro da área, indicara para a ANAC. Alardeou-se a) que fora retaliação a mim; b) que ele saiu porque faz parte de uma suposta “conspiração”.

5. Quando a senhora fez um apelo para que eu assumisse a coordenação política, no momento em que o governo estava muito desprestigiado, atendi e fizemos, eu e o Padilha, aprovar o ajuste fiscal. Tema difícil porque dizia respeito aos trabalhadores e aos empresários. Não titubeamos. Estava em jogo o país. Quando se aprovou o ajuste, nada mais do que fazíamos tinha sequência no governo. Os acordos assumidos no Parlamento não foram cumpridos. Realizamos mais de 60 reuniões de lideres e bancadas ao longo do tempo solicitando apoio com a nossa credibilidade. Fomos obrigados a deixar aquela coordenação.

6. De qualquer forma, sou Presidente do PMDB e a senhora resolveu ignorar-me chamando o líder Picciani e seu pai para fazer um acordo sem nenhuma comunicação ao seu Vice e Presidente do Partido. Os dois ministros, sabe a senhora, foram nomeados por ele. E a senhora não teve a menor preocupação em eliminar do governo o Deputado Edinho Araújo, deputado de São Paulo e a mim ligado.

7. Democrata que sou, converso, sim, senhora Presidente, com a oposição. Sempre o fiz, pelos 24 anos que passei no Parlamento. Aliás, a primeira medida provisória do ajuste foi aprovada graças aos 8 (oito) votos do DEM, 6 (seis) do PSB e 3 do PV, recordando que foi aprovado por apenas 22 votos. Sou criticado por isso, numa visão equivocada do nosso sistema. E não foi sem razão que em duas oportunidades ressaltei que deveríamos reunificar o país. O Palácio resolveu difundir e criticar.

8. Recordo, ainda, que a senhora, na posse, manteve reunião de duas horas com o Vice Presidente Joe Biden – com quem construí boa amizade – sem convidar-me o que gerou em seus assessores a pergunta: o que é que houve que numa reunião com o Vice Presidente dos Estados Unidos, o do Brasil não se faz presente? Antes, no episódio da “espionagem” americana, quando as conversar começaram a ser retomadas, a senhora mandava o Ministro da Justiça, para conversar com o Vice Presidente dos Estados Unidos. Tudo isso tem significado absoluta falta de confiança;

9. Mais recentemente, conversa nossa (das duas maiores autoridades do país) foi divulgada e de maneira inverídica sem nenhuma conexão com o teor da conversa.

10. Até o programa “Uma Ponte para o Futuro”, aplaudido pela sociedade, cujas propostas poderiam ser utilizadas para recuperar a economia e resgatar a confiança foi tido como manobra desleal.

11. PMDB tem ciência de que o governo busca promover a sua divisão, o que já tentou no passado, sem sucesso. A senhora sabe que, como Presidente do PMDB, devo manter cauteloso silencio com o objetivo de procurar o que sempre fiz: a unidade partidária.

Passados estes momentos críticos, tenho certeza de que o País terá tranquilidade para crescer e consolidar as conquistas sociais.

Finalmente, sei que a senhora não tem confiança em mim e no PMDB, hoje, e não terá amanhã. Lamento, mas esta é a minha convicção.

Respeitosamente,

MICHEL TEMER

A Sua Excelência a Senhora

Doutora DILMA ROUSSEFF

DO. Presidente da República do Brasil

Palácio do Planalto